Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
sentido
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Conexão
iríamos construir
um vestido
a nudez incomodava
e era tão natural
de que pano precisava
para que não fosse fatal?
a pele cheia de poros
pequenos cérebros
ajudavam a conservar
apenas pelo olhar
ou um gesto
o que tornava cada situação
mais espetacular
do que o simples
manifesto
a solidão de ser um
qual tecido cairia melhor?
os macios
que moldam a sutileza
ou quando ausentes
transmitem a certeza
veneno da natureza
podem ser adornos
servem para amenizar
o que morreu
ou que seria perigoso
escapar
o vestido está gasto
mesmo antes de feito
não se passa embaraço
quando existir
não é defeito.
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
Parte disso
ou parte dos sonhos
sentí-lo em sua artéria
é morrer de tão medonho
é vasto o conceito
a vivência exige respeito
pousar pela primeira vez
ou cair sem fim
é força de uma sensação
que não foi escolhida por mim
nasce o som
esparramando-se pelo ar
ninguém ouve
o espaço é mudo
aos ouvidos de Deus
não é
nem é
mas fez o ser
não morre
mas instaurou o morrer
gargalhadas não traduzem
o desespero do conceito
o absurdo é mudo
e há coisas que não digo
por respeito
Cena
desses com o mesmo
sentido
o mocinho proporciona
abrigo
e a donzela quer
perigo
imaginava uma cena
totalmente diferente
um olhar
que dissesse sim
somente
e o mundo se abriu
fantoches em movimento
num bar implodindo
obscuros sentimentos
figuras maltratadas
assombradas pelo meu olhar
eu esfacelada
nem podia explicar
apenas lamento
mas não tenho forças
a cena da dama
com o coração
em chamas
rastejo
por ninguém
imagine uma sombra
faço dela meu arem
a luz cega é minha amante
a cena que me convém
é a que crio a cada instante
Solução
timidamente, cansado de soluçar
girar em torno da pedra ancorada
em seu vagaroso caminhar
velho, preso ao infinito
empalidecia a cada rosto
que o impelia pelo gosto
que já não sentia
encontrava-se aflito
sua história abafou o grito
nem a morte lhe convinha
ocultava tristeza maior
mimava-a como tesouro
por sabê-la de cor
caminha hoje pelo nada
e com um certo alívio
delírio ou realidade
é melhor que objetivo
ser honesto em não sonhar
parar a busca dos loucos
parar é para poucos
preencher a pausa
de modo superficial
quanta coragem
o ato endemoniado
conduz ao confronto
entre ser e nada
tão almejado
O que não perdôo
Tem um lugar
na platéia desvairada
de que lado amanheço
aristocracia ou massa?
A mistura de sabores
custei a entender
cada molécula insiste
e persiste
na contradição do ser
espaço e conquista
através da história
cada guerra uma pista
de nossa subjetiva trajetória
rompimentos ancestrais
por métodos espirais
envolto em umbigos
que não sabem
repetem o tema
ruidosa
e silenciosamente
repetem somente?
A mente ,mente
acredita quem precisa
estar ausente
este delírio coletivo
irradiado pelos ares
silencia ímpetos destrutivos
e os mais variados dons
espetaculares
o barulho de que falo
fala, bomba,beijo
ralo
farejo o poder oculto
que não me desce
pelo gargalo
escrevendo
confiro força
ao oculto dividendo
não só à mim
mas a todos que morrem
sem poder pedir
por ser ainda assustado
em seu modo de existir
Sóphi´s
Cheguei na casa
escondida
na floresta
deitei aliviada
cansada dessa festa
varei a madrugada
exausta de dançar
confundindo estrela
com estrela do mar
o brilho que inexiste
e crio inconsequente
na terra aberta ao céu
que abriga
abertamente
voltei sem meu troféu
deitei humildemente
a casa desvelou-me
crua e nua
literalmente
és minha amiga
planta em solo fértil
minha semente
Arte
sentir desejo
morrer de vontade
vadiar de verdade
pelos becos estreitos
onde encontra segredo
suficiente
para explodir
seu mais ausente
incoerente
banguela
manco
estridente
arranhando a parede
mastigando concreto
arranhando a gengiva
há alguém
por perto?
Que não aproxime
saia daqui
sou um saci
mas tenho força
para mover o mundo
e ter um universo de distância
de tí
o gosto metálico
do deserto
ferindo a boca
salgando o corpo
instigando a mente
a alimentar-se
(do outro?)
vire-se
mas fique parado
mostre a dúvida
o ser hesitante
vou beber meu chá
e apreciar
mais um instante
Domingo, azeda
pelo azedume
a verdade me assola
e falo
cultivei
este costume
sucumbir
ao inverso
devorar o manifesto
assumir
revelar
o eu confesso
no seu desenhar
onde está sozinha
a pensar
doce donzela
entretida com o doce
cozinha e congela
mas esquece
que o frio é sentido
sozinho
na montanha
mais alta
sem espaço
lugar
alma
caminho
Justiça
o desejo dos mortos
O mundo pertence à nós
eu morri quando soube
e ouvi esta voz
vivia como uma máquina
meus desejos deslocados
fantasias cotidianas
enfaixadas neste drama
Minha carne apodrecendo,
a esperança da imortalidade
o corpo lembra o momento
a moral, a liberdade
respirei quando percebi
a danação verdadeira
não há o que mude
a direção dos passos
ou derrube a fronteira
